terça-feira, 9 de setembro de 2025

Cultura popular e liturgia

Por cultura popular, entende-se as expressões e preferências das pessoas simples, talvez pouco escolarizadas, das cidades do interior ou das periferias dos grandes centros urbanos.

Quando se fala em Liturgia, pensa-se numa manifestação religiosa solene, organizada e executada por / para pessoas instruídas, como bispos e autoridades civis, particularmente em espaços religiosos oficiais - um santuário ou catedral, por exemplo.

A cultura popular é diversa e reflete as origens dos povos, dando-lhes identidade. Trata-se de elementos que se aprende desde a infância e se transmite de uma geração à outra. Pode-se pensar nos indígenas, nos quilombolas, nos sertanejos, nos gaúchos, nos ribeirinhos, nos sambistas e rappers etc.

A Liturgia é uma expressão oficial da fé, uma herança de tempos passados e de países distantes, com uma linguagem e estrutura próprias. São partes essenciais da expressão litúrgica as palavras, os gestos, os objetos, as vestimentas, os ritos etc, e devem estar presentes necessariamente.

Uma das tarefas da evangelização é justamente tornar a Liturgia compreensível e significativa às novas gerações, a fim de que participem ativamente nela.

Em décadas passadas, os bispos da América Latina orientavam os fiéis a respeitar e valorizar as culturas populares, evangelizando os povos a partir da sua própria linguagem cultural, especialmente a geração mais jovem. Embora reconhecessem as limitações das culturas populares e a oficialidade da Liturgia, os bispos encorajavam o diálogo frutífero.

É verdade que houve alguns excessos na concretização deste diálogo, mas eles foram fraternalmente sendo expostos e corrigidos.

Na atualidade, nota-se, por um lado, uma crescente exaltação da Liturgia oficial e, por outro lado, um desinteresse ou menosprezo pela cultura popular, tanto da parte dos bispos quanto da parte dos fiéis leigos.

São vistos com suspeita e como ameaça os instrumentos e ritmos populares, as procissões, os símbolos culturais. Incentiva-se o canto gregoriano, o uso do órgão, expressões em latim, com a desculpa de tornar a Liturgia mais solene e sóbria, a exemplo do que é visto no Vaticano.

Em tempos de influenciadores nas redes sociais, há padres e fiéis leigos tradicionalistas que tratam de doutrinar os católicos, exaltando a Liturgia em detrimento da cultura popular.

Um desafio constante para a catolicidade da Igreja é alcançar o justo equilíbrio entre preservar a Tradição milenar e permitir a inculturação do Evangelho entre os povos. Há muitos valores populares, enraizados na diversidade cultural, que podem ser devidamente conservados, porque são profundamente humanos.

Já dizia Rupertus Meldenius, "no essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em todas as coisas, caridade".

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O salto da fé

O Criador do Universo é o Deus de Israel e o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto mais se sabe sobre o imenso universo, mais se reconhece que ele não pode ser fruto do acaso, devido à suas complexas leis e forças de movimento. Sendo assim, é necessário afirmar que o universo procede de uma inteligência extraordinária que pensou nos mínimos detalhes e de uma capacidade incrível que realizou o projeto. O homem, pela sua inteligência e racionalidade, é o único ser conhecido capaz de pensar no Criador do Universo.

Os povos antigos, que não tinham acesso às atuais tecnologias de investigação, chamaram de Deus essa inteligência e capacidade únicas. Muitos pensadores conseguem chegar até este ponto, sem a necessidade de recorrer às religiões. Os israelitas também chamaram de Deus o Criador do Universo.

A dificuldade dos pensadores começa quando aquela inteligência e capacidade únicas foi personalizada e apresentada como divindade de um povo específico. Vale dizer que não foram só os israelitas que personificaram o Criador do Universo. Os demais povos fizeram o mesmo, com maior ou menor sucesso.

Para passar do Criador do Universo ao Deus de Israel, não basta pensar, é preciso crer, ter fé. Os israelitas crêem firmemente que o Criador do Universo é um Deus pessoal - que os amou, que os escolheu como Seu povo, que fez uma aliança inquebrantável com eles, que lhes prometeu um Libertador.

Mas nós cristãos fomos ainda mais longe, crendo firmemente que o Deus pessoal dos israelitas - que é o Criador do Universo - tem um Filho que, sendo divino, fez-se também humano, a fim de libertar quem n'Ele cresse.

Em outras palavras, o Criador do Universo é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Seu Filho único - Deus verdadeiro - mas, n'Ele, os cristãos se tornam filhos adotivos. Isso se dá porque, além de Pai e Filho, o Deus cristão é também Espírito Santo, que é dado aos que crêem em Jesus Cristo para que vivam como filhos e recebam como herança a vida eterna.

Para finalizar: os pensadores, sem recorrer à fé, só conseguem chegar à conclusão que o Universo foi criado por uma inteligência e capacidade únicas. Mas, para chegar ao Deus pessoal dos israelitas e ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, não basta pensar, é preciso crer, ter fé.

- Por que os pensadores têm dificuldade para passar do Criador do Universo ao Deus de Israel e ao Pai de Jesus Cristo?

- Por que o homem é o único ser conhecido capaz de pensar no Criador do Universo?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...