Falemos brevemente do Pentecostalismo e do Neopentecostalismo. A palavra "Pentecostes" é uma referência bíblica (Atos dos Apóstolos 2) para a vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesús cinquenta dias após a Sua ressurreição (no Judaísmo, era a festa da entrega dos Dez Mandamentos aos hebreus através de Moisés).
O Pentecostalismo foi uma experiência de reavivamento espiritual através do Espírito Santo, iniciada no Protestantismo dos Estados Unidos no início do século passado, que chegou ao Catolicismo do Brasil em meados de 1970. Tinha como características o Batismo no Espírito Santo, a oração em línguas (glossolalia), a revelação de verdades ocultas, a cura de doenças físicas e espirituais, o exorcismo de demônios, as comunidades reavivadas etc. Sua área de influência eram os pequenos grupos nas regiões periféricas e pobres.
O Neopentecostalismo foi uma nova fase do Pentecostalismo, agora em posse de canais de rádio, TV e Internet, com presença forte nas redes sociais, com personalidades marcantes no mundo artístico, econômico e político, visando os espaços públicos (educação) e as classes sociais média e alta nos grandes centros urbanos. Vale recordar: o Neopentecostalismo também já está no Catolicismo do Brasil.
Na atualidade, o Neopentecostalismo tem como estratégia introduzir nas igrejas as estratégias de marketing do mercado com seus conceitos de tempo, de espaço, de bem estar, de exclusividade, de individualidade. Para alcançar a classe média/alta, os jovens, os esportistas, os artistas, os políticos, busca-se assemelhar os templos aos cinemas, aos teatros, às casas de shows, aos shoppings, com cafeterias, livrarias, espaços kids, salas de conferência, com sofisticados equipamentos de som, de luz, de vídeo, de transmissão ao vivo pelas redes sociais, criando sentimento de pertença e conectividade ao longo da semana.
Com a justificativa de alcançar um público seleto com um elevado nível de exigência e exclusividade (distraído com o mundo empresarial, com as propostas de viagem e diversão, com um estilo de vida saudável, desinteressado por religião etc), o Neopentecostalismo tem criado programas de reavivamento espiritual que misturam sermões com atividades físicas em ambientes naturais, fora da igreja, similares aos acampamentos de férias oferecidos às crianças e adolescentes. Claro, é preciso pagar caro para participar, devido ao alto investimento.
E, para não se estender muito, o Neopentecostalismo também tem vinculado diversos produtos e serviços à experiência religiosa, como uma referência exclusiva. A ideia que está por detrás é que, por terem "origem religiosa", os produtos e serviços oferecidos pela igreja são de qualidade superior, expressam glamour e despertam o desejo. Falamos desde camisetas e bonés, passando por bolsas e relógios, até chegar a pacotes turísticos e o mundo imobiliário.
Para não "escandalizar" nem "chocar" os recem-chegados, fala-se (e canta-se) de Jesus como um discurso coaching, de autoajuda, sem referência à Cruz e ao sofrimento, explorando o campo emocional.
É preciso refletir seriamente sobre as estratégias do Neopentecostalismo, sobretudo no Catolicismo do Brasil, averiguando até que ponto ele é conveniente e coerente com os ensinamentos de Cristo e da Tradição Católica. Mas não basta criticar enfaticamente sem apresentar uma alternativa inteligente e interessante, que atende as autênticas necessidades do ser humano na atualidade.