Hoje cedo, quando abri as portas da loja, vi dois rapazes sentados no banco, conversando.
Passados alguns minutos, eles entraram na loja. Aproximando-me, perguntei se precisavam de ajuda. Então me afastei quando disseram que não. Mas fiquei observando de longe.
Eram um casal. Gay. E comecei a pensar nos meus preconceitos, aprendidos na minha família, na Igreja, na escola, nas piadas com os amigos, nos discursos de ódio nas redes sociais.
Lembrei-me dos gays e lésbicas expulsos de casa pela família, dos que apanham na rua, dos assassinados. O mundo é cruel. Eu sou cruel. O problema não está neles, mas em nós.
Para o mundo mudar, eu preciso mudar. Mas é tão difícil. Até viro a cara para não ver casais homoafetivos. Não tenho amizade, nem troco conversa.
Nisso chegou uma mulher com um homem. Ela me perguntou alguma coisa, quando ele a puxou pelo braço com força. Ela reclamou. Eu pedi a ele que a soltasse, mas ele me mandou calar a boca e me xingou. A mulher me pediu desculpas e saiu arrastada pelo acompanhante.
O casal gay se aproximou e me perguntou se estava tudo bem. Respondi que sim e agradeci a preocupação. Eles tinham escolhido algumas camisetas e bermudas. Coloquei-as em sacolas, enquanto eles separavam o dinheiro para pagar.
Um deles comentou: "Há tanto ódio e violência no mundo. O antídoto para o ódio é o amor". Pegaram as sacolas, agradeceram e se foram.
Fiquei envergonhado. O que tem demais em que sejam um casal gay? Foram gentis, educados, discretos, atenciosos. Sei que há muitos extravagantes, espalhafatosos, barulhentos, mas não posso julgar o todo pela parte.
De que vale ser hétero e ser ignorante, violento, maltratando as pessoas? Temos que ver o ser humano pelas lentes do amor, arrancando os rótulos dos preconceitos, tão prejudiciais e fora de moda.
- Odiamos o que não conhecemos. É um mecanismo de defesa. Como superar a homofobia?
- Se Deus é capaz de amar a todos incondicionalmente, como pregar e testemunhar esse amor divino aos homossexuais e casais homoafetivos?