segunda-feira, 3 de julho de 2023

Um domingo diferente

- Tudo bem, meu amigo? E as novidades?

- Tenho algo pra lhe contar.

- Sou todo ouvidos.

- Ontem à noite fui à Igreja...

- A qual paróquia?

- Não, fui a uma igreja neopentecostal.

- Oi?

- Um amigo me convidou e eu fui.

- E aí? Me conta tudo.

- Muito interessante. O local era amplo, com ar condicionado, propositalmente com luzes reduzidas, paredes e teto pintados de preto, cadeiras de plástico individuais, um palco à frente, com cantores e instrumentistas sustentando serenamente hinos espirituais com arte e técnica, acompanhados de moças dançando coreografias suaves. Havia focos de luzes móveis e intermitentes, e também fumaça de gelo seco.

- Uau, que chique; tipo um show...

- Isso. Quem chegava ficava impactado. Havia muitos jovens, alguns casais de namorados de mãos dadas, crianças pequenas no colo da mãe ou do pai. Os participantes acompanhavam os hinos, cujas letras eram projetadas em painéis ou televisores. Entre as canções, os músicos convidavam os participantes para breves orações.

- Nos grupos de oração carismáticos é assim também. 

- Aí chegou o pastor, vestindo um bleiser escuro. Ele se comunicava bem, era divertido, falando espontaneamente. Deu as boas-vindas a quem vinha pela primeira vez. Os voluntários entregavam um cartão com uma mensagem de acolhida e onde os visitantes deixavam seus dados para posterior contato.

- Interessante, hein?

- Sim. Então o pastor convidou os participantes a oferecer seu dízimo ou oferta, explicando as referências bíblicas e apresentando os projetos sociais e estruturais da Igreja. O pastor orientou que os participantes poderiam utilizar envelopes deixados nas próprias cadeiras, depositando-os numa bolsa de tecido que passava entre as pessoas, ou as máquinas de cartão de débito ou crédito, ou fazer transferência por PIX, cuja chave estava projetada nos painéis e televisores. Os voluntários devidamente identificados ajudavam os participantes. 

- Puxa, que bem organizado, né? 

- Quando o pastor começou a pregar, as pessoas ficaram em silêncio, prestando atenção. Um fundo musical tocava enquanto ele exortava de pé, atrás de um móvel de madeira, onde estava sua Bíblia. Conforme ele lia os capítulos e versículos, os textos eram projetados nos painéis e televisores, para que os participantes acompanhassem.

- Quanto tempo durou a pregação?

- Uns quarenta minutos. Ele pregou sobre Jesus, a porta e o pastor das ovelhas, em João, capítulo dez. Ao final, os cantores e músicos voltaram a tocar, enquanto o pastor rezava e os participantes repetiam suas palavras. Ele então chamou as pessoas que queriam se entregar a Jesus para que viessem à frente do palco para receber uma oração. Depois, com uma música alegre, os participantes acolheram na Igreja os qu tinham se entregado a Jesus.

- Interessante.

- Antes da que os participantes se retirassem, o pastor rezou para que eles tivessem uma semana abençoada, com saúde, acompanhados de Cristo e do Espírito Santo. Então fomos embora. Tudo havia durado cerca de duas horas.

- Muita coisa se parece com  Igreja Católica; outras são diferentes. Mas gostei da organização. 

- Não havia cruz, nem vela, nem toalha, nem símbolo religioso algum. Muitos jovens de boné, com brincos e tatuagens.

- Na nossa igreja também tem, né? 

- É uma igreja tipicamente neopentecostal: fala a linguagem das pessoas do nosso tempo, atraindo pelo visual, pelas músicas, pela tecnologia e redes sociais, sem tantos protocolos e exigências, acolhendo a todos sem discriminação.

- Nós católicos temos algo a aprender com os cristãos neopentecostais?

- Por que muitos católicos têm trocado sua igreja por outra neopentecostal?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...