- Filho, quero falar com você.
- Agora, mãe?
- Sim, agora.
- Fiz alguma coisa errada?
- É justamente pra você não fazer nada errado que quero conversar com você...
- Ai, ai, ai...
- É sobre sexo, filho.
- Hum... o que é que tem?
- Você deve sempre respeitar as mulheres, a decisão delas.
- Mas e se elas não se dão o respeito, mãe?
- Não importa, filho. Você deve respeitar. Se elas disserem que não, então será não e ponto final.
- Isso não é justo: provocam a gente e depois vêm com esse papinho de que não querem.
- Isso é crime, filho: assédio sexual, estupro.
- Mas todo mundo faz isso, mãe. A gente não vai mudar o mundo...
- Você não é todo mundo! Você deve fazer a coisa certa e respeitar a pessoa, a lei.
- As mulheres bebem, ficam se insinuando, quase pedindo pra serem possuídas... A carne é fraca, né, mãe?
- Pior ainda quando há bebida alcoólica no meio. Fuja disso, filho. Se divertir é uma coisa, se aproveitar de alguém fora de si é outra.
- Mãe, se elas quisessem ser respeitadas, seria melhor que ficassem em casa.
- Os homens colocam drogas nas bebidas das mulheres pra que percam a razão e possam estuprá-las. Tome cuidado com quem você anda, viu?
- Vai dar nada não, mãe. Relaxa. Eu sei me cuidar.
- A polícia está de olho. Quem agir fora da lei vai pra trás das grades. Até assobiar pra mulher é assédio, viu? E tocar nelas sem autorização.
- Isso já é exagero, viu?
- Lembre-se: você tem irmãs, primas, amigas... Você gostaria que alguém as desrespeitasse?
- Claro que não, mãe! Se alguém fizesse isso com uma delas, eu lhe quebraria a cara...
- Pois bem, não faça aos outros o que não quer que os outros lhe façam. Estamos conversados?
- Tá bom, mãe...
- Não ouvi. Estamos conversados?
- Sim, mãe, estamos conversados.
- Você fala sobre assédio e estupro com as moças e rapazes?
- Você acha que a lei é dura ou branda quando o assunto é violência sexual?